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5 bens tombados de Santo André

Para que um bem seja tombado pelo Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arquitetônico-Urbanístico e Paisagístico de Santo André (COMDEPHAAPASA), não se leva em conta apenas quando o bem foi concebido, mas também o quão importante é para a histórica e a cultura da cidade.

Abaixo listamos 5 bens tombados de Santo André.

  1. A figueira
Figueira, localizada no interior do Parque Prefeito Celso Daniel, 1998. Coleção PSA. Acervo Museu de Santo André Dr. Octaviano Armando Gaiarsa.

A Figueira, cujo nome científico é “Ficus macrophilla Desfontaines ex persoon”, localizado no Parque Prefeito Celso Daniel é tombada como patrimônio cultural andreense pelo COMDEPHAAPASA – (Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arquitetônico – Urbanístico e Paisagístico de Santo André), desde 11/06/1992, sendo o registro de nº 1 no Livro de Tombamentos Municipais.

Apesar de não ser uma planta nativa (é de origem australiana), a figueira chama atenção pela sua imponência e majestade, sendo o maior exemplar existente no município.

Possui altura aproximada de 20m, com diâmetro podendo chegar até 4m e o da copa, até 25m. Sua idade é imprecisa, mas calcula-se que tenha entre 80 a 200 anos.

A árvore está localizada dentro do parque e nas suas proximidades há uma edificação que, originalmente, era a sede da “Chácara São Luiz”, existente desde o final do século XIX. Na última reforma feita na área, em 1999/2000, a casa foi praticamente demolida, restando apenas à cobertura.

 

2. RESIDÊNCIA DE PAULINA ISABEL DE QUEIRÓS / CASA DA PALAVRA MÁRIO QUINTANA

Residência de D.Paulina Isabel de Queiróz, quando ali estava instalado o Gabinete do Prefeito, déc.50. Ac:MSA

Em 1919, quando o centro de Santo André era restrito há algumas ruas, vários lotes foram comprados pelo Banco de São Paulo como forma de investimento. Em 16 de março de 1920, Paulina Isabel de Queiróz, casada com Antonio Queiróz dos Santos, adquiriu desse Banco os lotes que compunham o terreno no qual, mais tarde, seria construída a residência.
A residência foi construída no final da década de 1920 e se manteve como tal até 1938. A partir de então, ela foi arrendada pela Prefeitura Municipal de Santo André para ali instalar a Escola Profissional Mixta Secundária e a Seção de Puericultura. Eram os primeiros passos tanto para os cursos profissionalizantes como para o desenvolvimento de atividades relativas à saúde pública na cidade.

Mais tarde, em 1948, foi instalado o Serviço de Assistência Médico-Hospitalar e Pronto Socorro. Este se manteve até 1952, quando na residência foi instalado o Gabinete do Prefeito Municipal.
Com a construção do Paço Municipal, em meados de 1968, o Gabinete do Prefeito foi transferido da Praça do Carmo. Antes disso, porém, em 1964, o imóvel foi decretado de utilidade pública, com vistas à desapropriação. No entanto, apenas em 1971 o imóvel passou a ser um bem público.
Vários equipamentos públicos utilizaram esse espaço – Junta do Serviço Militar, União Cívica, Prossan. Em 6 de setembro de 1992 foi inaugurada a Casa da Palavra Mário Quintana que passou a ocupar o espaço. No final da década de 1990 a residência sofreu uma reforma completa, buscando adequá-la ao novo uso a que se destina: espaço cultural voltado para apresentações literárias, seminários, saraus e apresentações musicais.
A Casa da Palavra – Residência de D. Paulina Isabel de Queiróz está tombada e protegida pelo COMDEPHAAPASA – Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arquitetônico-Urbanístico e Paisagístico de Santo André, a partir de 11 de novembro de 1992. Essa ação significa mais uma forma de valorização desse espaço cultural.

 

3.  RESIDÊNCIA DE OLGA GUAZELLI / CASA DO OLHAR LUIZ SACILOTTO

Residência de Bernardino Queiróz dos Santos, déc 20. Na foto: Família Queiróz dos Santos. Col:Durval e Maria de Lourdes Daniel, reprod:MSA

A história dessa casa remonta a um tempo distante, meados da década de 1920. Ela foi construída como residência por Bernardino Queiróz dos Santos que ali morou com sua esposa, D.Paschoalina Guazelli. Da residência podia se lançar o olhar sobre o campo de futebol do Primeiro de Maio F.C., onde aconteciam as disputadíssimas partidas entre o Corinthians F.C. de Santo André e o time da casa.
Na Rua Luis Pinto Fláquer, na lateral do campo do Primeiro de Maio, encontrava-se a biquinha que era ponto de referência para aqueles que chegavam ao centro, provenientes de bairros mais distantes. Além disso, conta o folclore que quem bebia de sua água não saía mais de Santo André.

Após a morte de Paschoalina Guazelli, a casa ficou como herança para Olga Guazelli que ali residiu com seu marido, Dr.Manoel de Góes. A vizinhança era dividida com o imponente sobrado de Saladino Cardoso Franco, hoje demolido, e a residência de D.Paulina Isabel de Queirós, atual Casa da Palavra. Além disso, nas proximidades estava a Igreja do Carmo.
Na década de 1950 a Prefeitura de Santo André mostrou interesse em desapropriar a casa para ali instalar o Museu Histórico de Santo André. A casa foi considerada de utilidade pública através do Decreto n º4185 de 11 de março de 1968 e desapropriada pela Lei n º2143 de 1968.
Com a desapropriação concluída o Museu não foi instalado, mas o CASMU, órgão assistencial da cidade. Depois foram instalados outros órgãos municipais, sendo o último a Guarda Municipal que se mudou para dar lugar à Casa do Olhar Luiz Sacilotto, inaugurada em 13 de novembro de 1992.
A residência de Olga Guazelli, atual Casa do Olhar, está tombada e protegida pelo COMDEPHAAPASA – Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arquitetônico-Urbanístico e Paisagístico de Santo André, a partir de 11 de novembro de 1992.

 

4. OBRAS DE ARTE DE GIANNI PARZIALE NA IGREJA MARIA IMACULADA

Tombada pelo COMDEPHAAPASA (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arquitetônico-Urbanístico e Paisagístico de Santo André), inscrita no livro de tombo nº 8, em 02 de fevereiro de 1995, as obras localizadas na Capela Maria Imaculada, são de autoria do artista plástico italiano Gianni Parziale e foram executadas a pedido dos frades conventuais para ornamentar a Capela, inaugurada em 1992.
Sobre painéis em compensado naval, medindo um metro quadrado cada, foi utilizada a técnica mista: acrílico, óleo, folhas de ouro, vidro, metais, óxidos e vernizes de proteção.
A obra representa a Paixão de Cristo, dividindo-se nas representações da Santa Ceia (12 quadros); Cristo no Jardim das Oliveiras (12 quadros); Cristo Crucificado (9 quadros); Ressurreição (24 quadros) e também a Vida, Martírio e Glória de São Maximiliano Kolbe (72 quadros). Recentemente a Capela foi reformada e os painéis da Ressurreição foram retirados.

 

5.  PRIMEIRO GRUPO ESCOLAR DE SÃO BERNARDO

I Grupo Escolar, 1914. Coleção EEPSG Prof. José Augusto de Azevedo Antunes. Acervo Museu de Santo André Dr. Octaviano Armando Gaiarsa.

O prédio, de características neoclássicas, é referência na cidade, pois abrigou o Primeiro Grupo Escolar da região do Grande ABC e faz parte do grupo de escolas construídas na Primeira República. Desde o começo do século 20 já havia, por parte de vereadores, a preocupação em se criar uma escola que pudesse atender mais alunos, pois até então existiam apenas algumas escolas isoladas nas casas de alguns professores.
O prédio foi construído em terreno doado por Clara Thon Fláquer e Secundino Domingues. O projeto do tipo Mogy-Guassu elaborado por José Van Humbeck e a fachada de J.B.Maroni. Os construtores, que iniciaram a obra em 1912, foram Luis Carvalho de Souza e Antonio Pinto Alves. A escola começou a funcionar em julho de 1914.

Até 1938 foi chamado de Grupo Escolar de São Bernardo e a partir desta data a escola teve várias denominações, sendo a última, EE Prof. José Augusto de Azevedo Antunes.
Com o passar dos anos a escola foi ficando pequena para o número de alunos. Foi feita uma permuta entre a Prefeitura e o Estado – proprietário do prédio. A Prefeitura construiria uma nova escola com maior número de salas de aula e o antigo prédio ficaria para ela. A escola mudou-se para o novo prédio em 1978.
Após a mudança ficou instalada nesse local, durante vários anos, a Prossan – Serviço de Promoção Social da Prefeitura. Em 1990 o Museu de Santo André veio ocupar esse significativo espaço para a memória da cidade.

Desde então o Museu vem conservando o prédio e o acervo da cidade de Santo André. Realiza, também, exposições sobre a história, memória e transformações da cidade. O imóvel é tombado pelo COMDEPHAAPASA – Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arquitetônico-Urbanístico e Paisagístico de Santo André desde 23 de dezembro de 1992 e pelo CONDEPHAAT (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo) desde 21 de julho de 2010. Essa ação significa mais uma forma de valorização desse local que traz muitas lembranças às pessoas dessa cidade.

 

 

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